Ontem à noite no telegraph club
Sumário:
«O livro. Era sobre duas mulheres apaixonadas uma pela outra. — E então, proferiu a pergunta que se enraizara nela e que agora desenrolava as suas folhas e exigia mostrar-se à luz do Sol: — Alguma vez ouviste falar de tal coisa?»
Lily Hu não se consegue recordar do momento exato em que a pergunta se enraizou na sua mente, mas a resposta surgiu, como se um candeeiro de rua se acendesse numa noite negra, quando ela e Kathleen Miller caminharam sob o letreiro néon de um bar lésbico chamado Telegraph Club. Em 1954, Chinatown, nos Estados Unidos da América, não é um lugar seguro para duas raparigas se apaixonarem. A Ameaça Vermelha intimida a população, sobretudo pessoas sino-americanas como a família de Lily. Com o risco de deportação a pairar sobre o seu pai, apesar da cidadania duramente conquistada, Lily e Kath arriscam tudo para que o seu amor possa sair da escuridão e ver a luz do dia.
Editado por: Dublin City University

Comentário:
A viagem de Lily leva-nos para uma América nos anos 50, onde acompanhamos a sua jornada enquanto descobre a sua identidade queer e, ao mesmo tempo, se tenta conectar com a sua cultura enquanto descendente de chineses. E isto tudo numa época nos EUA marcada por muitos conflitos e os ataques a bares que faziam parte de uma campanha agressiva da polícia e dos governos da época contra bares e pessoas gay. Este é o contexto histórico deste livro fabuloso que, embora seja conotado como young adult, eu diria que é muito mais um romance histórico, uma grande narrativa envolvente e vívida, onde acompanhamos Lily, uma personagem a aprender a viver como chinesa-americana e lésbica numa altura em que, muitas vezes, não era permitida a coexistência de ambos, trazendo representação para os leitores de hoje. E estamos aqui, a ler, mas também estamos lá, no Telegraph Club, naquele bar mágico que acabou por se tornar um santuário para uma rapariga em busca da sua identidade.