Novas Cartas Portuguesas
Sumário:
Reescrevendo, pois, as conhecidas cartas seiscentistas da freira portuguesa, Novas Cartas Portuguesas afirma-se como um libelo contra a ideologia vigente no período pré-25 de Abril (denunciando a guerra colonial, o sistema judicial, a emigração, a violência, a situação das mulheres), revestindo-se de uma invulgar originalidade e actualidade, do ponto de vista literário e social. Comprova-o o facto de poder ser hoje lido à luz das mais recentes teorias feministas (ou emergentes dos Estudos Feministas, como a teoria queer), uma vez que resiste à catalogação ao desmantelar as fronteiras entre os géneros narrativo, poético e epistolar, empurrando os limites até pontos de fusão.»
Editado por: Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva

Comentário:
Abordando questões que se mantêm cruciais para a agenda política contemporânea, como a guerra e os conflitos, a violência, a discriminação, a feminização da pobreza, a (ausência de) liberdade, a colonização do corpo político e a imigração, entre muitas outras questões, Novas Cartas Portuguesas continuam a despertar a consciência social e a promover a construção de novos mapas de entendimento e de uma humanidade comum. Enquanto objecto literário, Novas Cartas está igualmente entre os textos mais inovadores do século XX, desestabilizando e questionando noções convencionais como as de autoria, autoridade e género literário. Recorde-se que o livro, composto por 120 textos (incluindo cartas, poemas, relatórios, textos narrativos, ensaios e citações), foi escrito colectivamente pelas três autoras, que, no entanto, não assinam individualmente qualquer um desses mesmos textos. (https://www.novascartasnovas.com/)